Ficção e fricção de tamancos
Outubro 28, 2007 de mirianne
******
2003
Quatro quarteirões abaixo e Maria encontra a casa cor-de-rosa da Ana, amiga de infância. Ela vive com seus cinco cachorros e diz que os ama tanto a ponto de impor a eles que bebam chá de cidreira todas as noites para que durmam bem.
_ Qual a sua relação com o Prozac?- pergunta Maria, sempre tão racional.
_ Convivo com o Prozac há um ano. Minha relação com ele já é a mesma tida com a comida do dia-a-dia.
_ Você já experimentou ficar sem o remédio?
_ Sim. Por quase seis meses. Senti-me deprimida.
_ Você se considera uma dependente?
_ Não. Mas sou viciada no joguinho da memória do meu celular.
_ Ora, veja. Eu também sou, bem sabe.
Dão risadas, mas logo retomam a seriedade da conversa.
_ O que o Prozac representa para você? - inquire Maria.
_ Representa uma benção de Deus. - responde.
_ Você é uma dependente.
Foi bem assim. Ana agarrou seu tamanco plataforma, Maria agarrou seu tamanco bico fino e guerrearam, num fabuloso desfecho com muitos puxões de cabelo.