McEla
Outubro 28, 2007 de mirianne
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2003
Ela observa que as luzes acendem, apagam, e acendem novamente, mas em lugares distintos. Observa que cada lugar volta a ser preenchido pela estranha luz azul que já o havia abandonado. Acima está escrito o nome da tecelagem. É interessante. A noite, a uma distância considerável, pode-se perceber a brincadeira das luzes, que parecem vivas, numa brincadeira humana com a energia elétrica.
Ela defende a causa vegetariana, mas caminha, distraidamente, em direção ao McRonaldo’s. É limpo. É gorduroso. É bom, bem decorado. Aquelas pantalhas com um R escrito. A mãe e suas filhas decidindo como será o aniversário da filha menor no lugar. Naquele dia, uma amiga a havia convidado para o aniversário de sua filha caçula. “Mas e quando terei o meu?”, pensa.
Come seu McCoisa com ódio de si mesma. Ódio e vergonha. Uma onívora tomando ácido em refrigigante de 2l. Ela o sente. Mais ódio. Pensa nas crianças que nada comem enquanto ela se sente pesada com aquela porcariada. Sai do lugar. Mas já havia comido tudo. Estava fazendo a maldosa digestão, lembrete orgânico de um passado recente.
Mais poluição sonora. Esbarra no homem do tempo, aquele que sempre olhava para todos os lados, raramente acompanhando os minutos.
Tudo bem próximo à praça central da cidade.
Ela chega a sua casa, encara novamente a foto do falecido cachorro, apaga suas luzes e dorme ao sono de pesadelos com Big McCoisas perseguindo-a.